Você sabe qual o futuro da mobilidade? Veja o cenário atual, as principais tendências e tudo o que você precisa saber sobre o tema.

A mobilidade urbana vem sofrendo grandes mudanças globais nos últimos anos, por diversos fatores, afetando tanto a parte da sociedade que mais se locomove quanto a indústria.

No Brasil, as grandes cidades podem servir de resumo para o panorama da mobilidade. Por exemplo, boa parte da população mora longe de onde estuda ou trabalha. Além disso, o transporte coletivo parece não suportar a quantidade de pessoas nos horários de pico.

Há também o excesso de veículos nas ruas e, consequentemente, excesso de tempo gasto em deslocamentos devido à soma dos fatores distância e trânsito.

Com o início da pandemia da Covid-19 e a necessidade de distanciamento no transporte coletivo, o processo de transformação da mobilidade no país colocou holofotes em alguns aspectos. Vamos explicar em seguida. 

Mas, antes, é importante ressaltar que o país possui, atualmente, mais de 15 milhões de desempregados. E é a mesma mobilidade urbana que dá oportunidade para novos motoristas transportarem pessoas e prestarem serviços de entrega, por meio da economia compartilhada.

Para entender mais do cenário futuro para a mobilidade urbana, confira nosso post completo. Boa leitura!

1. Ter ou não ter carro próprio

Um estudo realizado pela consultoria R/GA entrevistou 5 mil pessoas em 10 países, incluindo o Brasil, e mostrou que 75% das pessoas que possuem carro gostariam de dirigir menos.

Além dos motivos citados anteriormente, o alto custo de taxas (como IPVA e seguro), combustível e estacionamento também pesam no bolso — e na decisão. 

Esse comportamento fica ainda mais evidente entre os jovens. Uma pesquisa da Deloitte mostrou que 62% das pessoas das gerações Y e Z não pretendem comprar um carro no futuro.

Apesar de significar uma grande redução de custos, não quer dizer que eles optaram por utilizar apenas o transporte coletivo, ainda mais durante a pandemia de Covid-19. As novas gerações têm um pensamento diferente sobre o individual e o coletivo.

Além disso, também dispõem maior acesso a serviços de:

  • transporte por aplicativo;
  • plataformas de carsharing;
  • aluguel de carro com assinatura;
  • grupos de carona.

E outras tantas opções de mobilidade que surgem o tempo todo por meio de novas startups e da economia compartilhada também são preferidos por essas pessoas. À inovação e tecnologia sempre trazem novidades que são facilmente adquiridas pelos jovens

2. Descentralização do trabalho

Com a possibilidade de trabalhar em casa, o chamado home office começou como um movimento obrigatório para garantir a segurança dos colaboradores. Ao mesmo tempo em que permitia que eles continuassem desempenhando seus papéis nas empresas.

Por isso, há quem diga que o trabalho remoto veio para ficar, pois as empresas já perceberam os benefícios desse modelo laboral.

É fato que, apesar da pandemia, algumas companhias aumentaram exponencialmente o quadro de colaboradores. Especialmente no segmento de tecnologia, como e-commerce e fintechs.

Elas contrataram sem a necessidade de morar na mesma cidade onde fica o escritório. Já avisando que o trabalho remoto pode ser em regime total ou parcial, de acordo com o desejo do colaborador. 

Mas como essa flexibilização do trabalho afeta a mobilidade urbana? Com horários mais flexíveis e locomoção em dias alternados, para o modelo híbrido, supõe-se que haverá um grande e positivo impacto no trânsito das grandes cidades.

Além de proporcionar mais qualidade de vida para quem poderá utilizar esse tempo “perdido”, entre a casa e o trabalho, para fazer outras atividades. Como cuidar da saúde mental, outro grande tema debatido em tempos de quarentena.

Mobilidade urbana e o futuro das cidades

O futuro da mobilidade urbana cruza com o da economia compartilhada

3. Impacto positivo na qualidade do ar

O período de menor circulação de veículos, para conter o coronavírus, fez a qualidade do ar aumentar em vários países do mundo, inclusive no Brasil. Pelo menos é o que diz uma pesquisa do VAI (Vehicle Artificial Intelligence), que monitora o sistema de conectividade automotiva.

Nela, eles mostraram que o tráfego de carros nas principais cidades do mundo caiu 50,4%, entre 18 de março e 23 de março, na comparação com o mesmo período antes da pandemia. 

Esse fenômeno também refletiu na emissão de poluentes, tornando a qualidade do ar muito melhor para os habitantes. No mesmo período, os níveis de monóxido de carbono (C0) estavam entre os mais baixos para o mês de março dos últimos anos.

Isso de acordo com o monitoramento da Cetesb (Companhia Ambiental do Estado de São Paulo), que mede o nível de CO, principal indicador da emissão de veículos leves em grandes centros urbanos. 

É por essas razões que o tema mobilidade sustentável se faz tão necessário e deveria estar presente nas pautas de qualquer governo. Um exemplo disso é que os grandes centros urbanos da Europa estão investindo na chamada micromobilidade.

Esse termo propõe melhorias que envolvem o serviço de compartilhamento de bicicletas e patinetes por aplicativo, além de maior extensão de ciclovias e espaços reservados para estacionar.

A estrutura brasileira ainda está longe de ser ideal, mas a pandemia pode ter despertado esse olhar tanto econômico quanto sustentável. Um levantamento feito pela Aliança Bike registrou um crescimento de 50% nas vendas de bikes no Brasil em 2020, comparado ao faturamento de 2019. 

4. Veículos elétricos e mobilidade urbana

As montadoras vêm investindo na mobilidade elétrica como protagonista de um futuro sustentável. Os carros, bicicletas, patinetes, scooters e até veículos de transportes públicos elétricos e/ou híbridos são mais eficientes. Além de agredirem menos o meio ambiente e terem tecnologia atrelada à inteligência artificial.

De acordo com os dados da Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE), as vendas desse tipo de veículos bateram recorde em 2020, com aumento de 66,5% em relação a 2019. O mercado saltou de 11.858 unidades circulando pelo país em 2019 para 19.745 em 2020.

Só em dezembro foram 1.949 veículos vendidos, demonstrando que os brasileiros estão cada vez mais receptivos a mudar os hábitos e trocar os veículos à combustão pelos elétricos. 

5. Iniciativas para ficar de olho

São muitas possibilidades, mas o Brasil ainda engatinha em várias delas – principalmente na experiência de veículos elétricos. No entanto, temos algumas tendências para ficar de olho. 

O aluguel de bicicletas por aplicativo já faz parte do cotidiano em bairros específicos de grandes cidades, mas ainda não é acessível para o país todo. Já os famosos patinetes também tiveram dias de glória.

Porém, tiveram suas atividades encerradas pelas empresas Uber e Grow após prejuízos com manutenção dos equipamentos. Já o carsharing é uma boa aposta para o futuro da mobilidade urbana no Brasil.

O serviço é parecido com o aluguel de carro, mas ele tem a função de servir para uma necessidade específica do usuário. Pode ser utilizado por poucas horas, ou até mesmo dias. Alguns apps, como Turbi, BeepBeep e JoyCar, já atuam no Brasil. 

Outra iniciativa de mobilidade inteligente e sustentável, quando o assunto é carona, acontece por meio das empresas BlaBlaCar, Waze Carpool e Bynd. Inclusive, cresceram durante a pandemia e ajudam, por meio da mobilidade urbana, a conectar pessoas que fazem o mesmo trajeto.

O objetivo é que o passageiro tenha conforto pagando uma taxa mais barata que uma corrida de Uber, por exemplo. Porém, o diferencial é que a corrida continua sendo o suficiente para ajudar o motorista a abater os custos de locomoção.

Vamos acompanhar os efeitos da pandemia, as iniciativas sustentáveis da indústria automobilística e conferir o que mais vem por aí.