Saiba mais sobre a importância da gestão de estoque, seus desafios e as possíveis soluções.

Gostaria de iniciar este texto com a proposição de uma reflexão ao amigo leitor: “O que faz uma empresa se destacar e alcançar resultados incríveis?” Essa pergunta se torna ainda mais desafiadora e necessária quando a colocamos no contexto atual, de elevada competitividade e complexidade, que exige uma maior convergência de recursos e esforços e, principalmente, a busca pela excelência na utilização das competências gerenciais de uma empresa. 

Observando as empresas de sucesso, podemos constatar que é na sua gestão e na excelência operacional que elas se diferenciam de seus concorrentes e pavimentam o caminho para o sucesso. 

O fato é que em tempos assim, a gestão, seja de qual área da organização for, não pode mais ser realizada de forma empírica, ou deixada ao acaso. Ela precisa ser realizada de forma racional, planejada, integrada, coordenada e com foco na excelência. Ainda mais se considerarmos a gestão de uma área da empresa que tem características de ambiguidade, já que sua existência tranquiliza a empresa em função do atendimento de flutuações de demanda, mas que por outro lado impõe uma pressão na busca da excelência, em razão do capital investido. Me refiro aqui a uma das atividades mais importantes de uma empresa: controlar o estoque.

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 A gestão de estoque

A gestão de estoque é tão importante que, em um passado recente do nosso país, era comum ouvir do empresariado que ele ganhava dinheiro com a manutenção dos depósitos cheios de mercadoria. Não havia muita preocupação com outros indicadores de performance, mas sim em manter o estoque em altos níveis, o que iria permitir uma maior capacidade de ganhos financeiros, já que vivíamos tempos de alta inflação. 

Mas com a estabilização da economia brasileira, a gestão de estoque, que era protagonista dos ganhos, passou a ocupar um papel ainda mais crucial para o desempenho das empresas, já que afeta diretamente o custo de oportunidade do capital, oriundo da manutenção de produtos em estoque. 

Assim, o grande desafio a partir de uma economia estável não é mais manter os estoques em alto nível, mas sim o de encontrar a medida certa do giro de estoque, que garanta algum excedente para atender a demanda de maneira suficiente, sem exceder a quantidade de cada produto e ser um peso desnecessário para o capital empregado. A busca por esse equilíbrio é muito importante e passa por 3 importantes fatores a considerar: 

1) tempo do processo de manufatura; 

2) localização do estoque; 

3) previsão de demanda.  

O tempo de processo de manufatura tem relação direta com a produção, transporte e necessidades específicas de armazenagem que podem influenciar diretamente o estoque em condições de venda. A localização do estoque quase sempre traz à tona a necessidade de centralização ou descentralização de estoque, que pode ser fator de diferenciação competitiva, na medida em que temos um consumidor mais exigente em relação ao tempo de espera por determinado produto. Ter seu produto disponível, mais rápido que seu concorrente faz toda diferença, e para casos em que o frete é fator importante na composição de custos, diminuir as distâncias, pode significar se manter competitivo em determinado mercado ou região. 

Mas sem dúvida, o mais desafiador para as empresas é a previsão de demanda, dada a complexidade do processo e a dificuldade na assertividade desta previsão, já que os mercados se comportam de formas diferentes. 

Assim, encontraremos alguns mercados em que teremos previsões mais assertivas, ou seja, onde a previsão estará mais próxima do consumo, e em outros a dificuldade será maior. Então para garantir uma maior assertividade na previsão não se pode admitir mais ter um processo de previsão de demanda tomando como base séries históricas de consumo. Em uma analogia, seria como querer que o um carro fosse à frente, mas olhando apenas para o retrovisor. É preciso muito mais! 

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Para atender esse adicional que se exige nos dias de hoje e realizar uma boa previsão de demanda, as empresas precisam buscar mais informações, muitas vezes de fontes externas, com a área comercial e com clientes, de forma que possam garantir um processo de previsão de demanda mais alinhado com o cenário de mudanças em que estamos inseridos. 

Assim, obter informações em pontos de venda por meio da adesão de tecnologias que permitam, por exemplo, ter informações em tempo real e de forma estruturada, também garante maior assertividade na previsão de demanda. Da mesma forma, a realização de pesquisas com clientes e demais estudos considerando aspectos socioeconômicos e mercadológicos. Aliás, vale ressaltar, ainda, que o entendimento da psicologia do consumidor e quais atributos mais pesam na hora da decisão também pode fazer toda a diferença na hora de prever a demanda de cada item.  

Assim, é a somatória de vários fatores, análises objetivas e subjetivas que permitem uma gestão de estoque mais eficiente, garantindo inclusive que se possa potencializar as vendas. Pense nisso na próxima vez que tratar algum assunto em relação ao seu estoque. Afinal, estoque é dinheiro: ou porque pode ser transformado em vendas, ou porque tem custo de capital investido.

Juvêncio Lima, gestor comercial regional Centro-Oeste / Norte da Ciser, Graduado em Administração de Empresas, com MBA em Gestão Comercial pela FGV e Marketing Estratégico pelo INSPER, com mais de 30 anos de experiência na área de estratégia comercial, tendo atuado profissionalmente nos 03 setores: Indústria, Comércio e Serviços.

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