Conheça a agricultura orgânica e saiba porque ela tende a conquistar cada vez mais espaço no Brasil.

As preocupações com a saúde têm levado muitas pessoas a buscar novos hábitos mais saudáveis, principalmente quando o assunto é alimentação. Neste contexto, por ser um modelo de produção aliado à preservação ambiental e capaz de fabricar alimentos saudáveis e de grande qualidade, a agricultura orgânica tem crescido bastante no Brasil e no mundo.

Segundo dados da Associação de Promoção dos Orgânicos (Organis), em 2020 o setor teve uma alta de 30%, alcançando o faturamento de R$ 5,8 bilhões. Já eram mais de 24,6 mil produtores registrados no Cadastro Nacional de Produtores Orgânicos, que buscam aumentar e melhorar a sua produção de forma sustentável. E que encontram oportunidades em um contexto de demanda crescente.

Embora o assunto seja cada vez mais discutido, muitas pessoas ainda têm dúvidas sobre o que é a agricultura orgânica, a viabilidade do modelo de produção e as oportunidades que ele pode trazer para os produtores. Neste texto, vamos responder todas essas perguntas e trazer um panorama da situação no Brasil. Boa leitura!

Relembrando, o que é agricultura orgânica?

De acordo com a Associação de Agricultura Orgânica (AAO), a agricultura orgânica é um modelo de produção comprometido com as necessidades do meio ambiente e, ao mesmo tempo, à qualidade dos alimentos e à saúde humana.

Nele, não são utilizados agrotóxicos, hormônios, aditivos sintéticos ou insumos químicos, mas tecnologias adequadas para a realidade de cada cultura — considerando solo, clima, topografia, água e pessoas, sejam elas trabalhadoras ou consumidoras. Como consequência, reduz significativamente os impactos causados ao meio ambiente e a comunidades próximas, colaborando para a manutenção da biodiversidade.

Quais são as principais características da agricultura orgânica?

A agricultura orgânica é baseada em 4 fundamentos principais:

  • em primeiro lugar, o respeito à natureza, com práticas que promovem preservação para garantir que o ecossistema permaneça equilibrado e em bom funcionamento;
  • há também a diversificação de cultura, que, baseada na produção de alimentos variados, impede o esgotamento do solo pela absorção excessiva de um único nutriente, além de ampliar a oferta de produtos;
  • a noção do solo como um organismo vivo também é fundamental para tornar o manejo mais sustentável, investindo na fertilização a partir de matéria orgânica, com adubos verdes, composto orgânico e assim por diante.
  • por fim, o modelo ainda acredita na independência dos sistemas de produção. Ao contrário da agricultura mecanizada, a orgânica faz a separação entre os sistemas industriais e comerciais da produção agrícola, substituindo o uso de alguns insumos tecnológicos e agroindustriais mais nocivos.

Como funciona a agricultura orgânica?

Os fundamentos apresentados guiam a produção na direção de um modelo mais sustentável, que justifica a adoção de práticas agroecológicas e naturais. Conheça as principais delas a seguir.

 Adubação orgânica e verde

Uma das variedades da adubação orgânica, a adubação verde promove a reciclagem dos nutrientes do solo por meio do cultivo de espécies específicas de plantas em rotação ou consórcio com a lavoura.

São usadas principalmente leguminosas e gramíneas, que podem ser colhidas e deixadas sobre o solo, servindo como adubo natural, ou até plantadas diretamente. Em ambas as opções, nutrientes importantes são trazidos para o solo, aumentando a sua fertilidade sem a dependência de insumos químicos.

Há, ainda, outras possibilidades de adubação orgânica, como o uso de matéria decomposta por fermentação e o de esterco de animais da própria região, criados com uma alimentação orgânica e da forma mais próxima do seu habitat natural.

Minhocultura

As minhocas podem ser usadas para a reciclagem de resíduo orgânico, gerando húmus que aumenta a fertilidade do solo, gerando benefícios para a plantação. O agricultor pode ter um minhocário separado, dedicando um espaço somente para a compostagem, ou incluir as minhocas diretamente no solo onde faz o plantio.

Um estudo publicado na Scientific Reports em 2014 revelou que, em média, a presença dos animais no solo aumenta a produtividade de grãos em 25%. Ou seja, uma solução simples, barata e que pode render excelentes frutos. 

Manejo da vegetação nativa

Outra característica importante da agricultura orgânica é o trabalho com espécies vegetais nativas da região da cultura. Isso para a produção de alimentos e como cobertura morta — a adubação verde que já mencionamos. A medida é responsável pelo melhor desempenho da produção, proteger a biodiversidade e aumentar a segurança hídrica do terreno.

Uso racional de recursos naturais

Por fim, e novamente pincelando o assunto, o modelo de cultivo opta por práticas que respeitam os ciclos da natureza, preservando os seus recursos. Além das que já foram mencionadas, o uso da água é racional e mais cuidadoso na irrigação, com a adoção de técnicas e tecnologias que reduzem o desperdício e aumentam a eficiência. Por exemplo, gotejamento ou uso de sensores de monitoramento. 

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Vantagens e desvantagens: a agricultura orgânica vale a pena?

A agricultura orgânica traz grandes benefícios não apenas ao meio ambiente, mas também a trabalhadores, consumidores e até a comunidades próximas dos locais de plantio.

Isso porque modelos de produção mais sustentáveis causam menos impactos a recursos naturais, como a água e o solo, garantindo a sua disponibilidade por mais tempo. Como consequência, a produção de alimentos é facilitada e pode se tornar mais econômica, já que a necessidade de comprar insumos e fazer reparações, como renovação do solo, se torna menor.

Sem o uso de agrotóxicos e produtos químicos, os alimentos ainda passam a ser mais seguros e saudáveis para o consumidor. Isso significa um aumento de qualidade, que aliado à crescente preocupação com os problemas socioambientais, tem atraído cada vez mais pessoas, representando, também, um aumento nas oportunidades.

Quanto às desvantagens, podemos citar processos mais demorados, já que é preciso seguir o ritmo da natureza, e a produção em menor escala — em comparação com a agricultura tradicional, baseada em grandes monoculturas. Esses pontos são responsáveis por produtos mais caros, que acabam inacessíveis para várias pessoas.

Além disso, ainda é preciso fazer um acompanhamento mais próximo e frequente da cultura, já que produtos químicos, que auxiliam no controle de pragas e no crescimento das plantas, não são utilizados.

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Qual o cenário da agricultura orgânica no Brasil?

Entre vantagens e desvantagens, há cada vez mais pessoas dispostas a consumir e a produzir alimentos orgânicos. No Brasil, uma prova disso é o aumento do consumo em mais de 50% apenas no primeiro semestre de 2020. Os dados são da Associação de Promoção dos Orgânicos (Organis), que recebeu mais de 20 mil visitas por mês em seu website durante o período.

As expectativas são de que esse movimento cresça ainda mais. Em 2010, havia mais de 5 mil unidades de produção orgânica certificadas no Brasil. Em 2018, o número passou dos 22 mil, segundo uma matéria do Ipea. Hoje, como mencionado no início deste texto, já passamos dos 24 mil. Diante de um aumento tão expressivo, fica claro que o mercado de orgânicos é uma possibilidade real para o futuro, com grandes oportunidades à vista.

Agora você já conhece a agricultura orgânica, suas características, vantagens e algumas das novas oportunidades do mercado. Aqui no blog da Ciser, temos vários outros conteúdos relevantes da produção agrícola, produzidos especialmente para ajudar você nos negócios. Por exemplo, sobre indicadores de sucesso que podem ajudar a aumentar a sua produtividade e facilitar as suas decisões. Quer saber mais sobre o assunto? Leia agora!

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