Você sabe o que é net metering, bateria solar e geração compartilhada? Descubra isso e muito mais.

Há menos de uma década, o governo e os consumidores brasileiros começaram a investir fortemente na geração distribuída por meio de painéis solares fotovoltaicos e demais fontes renováveis de energia. Ainda que a energia solar represente apenas 1% da atual capacidade energética do país, esse mercado está crescendo em média 200% ao ano — e a estimativa da Empresa de Pesquisa de Energia (EPE) é chegar a 1,35 milhão de consumidores até 2027.

Hoje, a micro e a minigeração distribuída são excelentes investimentos sustentáveis e econômicos. Por isso, o que antes era apontado por especialistas como uma tendência, hoje já é uma certeza: o modelo tradicional de distribuição de energia elétrica está passando por uma grande revolução. Atualmente, pelo menos 120 mil brasileiros não dependem diretamente da rede elétrica pública para ter acesso a energia.

A seguir, leia mais sobre este tema tão relevante para a eficiência energética no país.

Geração distribuída no Brasil e no mundo

Líderes de fontes renováveis de energia, como Japão e Alemanha — que, respectivamente, lançaram já na década de 90 seus programas de “70 mil telhados solares” e “100 mil telhados solares” — possuem níveis de incidência solar bem mais baixos que as médias brasileiras. Mesmo assim, o Brasil ainda está nos passos iniciais para a geração distribuída de energia.

Em 2015, foi criado o ProGD (Programa de Desenvolvimento da Geração Distribuída) já com a missão de investir cerca de R$ 100 bilhões no desenvolvimento e na ampliação de tecnologias solares fotovoltaicas. Em entrevista à revista Exame, o sócio-fundador da consultoria Clean Energy Transition Partners, Owen Zinaman, confirmou a imensa oportunidade que o Brasil tem em mãos no setor elétrico:

“Vejo que o Brasil tem maior potencial do que qualquer outro país para fazer a transição para um sistema elétrico limpo o mais rapidamente possível. Digo, completamente limpo, sem nenhuma emissão de carbono. Nunca vi um país que tenha mais recursos naturais disponíveis para fazer isso.”

A estimativa da Agência Internacional de Energia (IEA) é que a geração distribuída por meio de painéis fotovoltaicos seja a maior fonte energética do mundo até 2035.

A energia solar é o futuro. Mas qual é o futuro da energia solar?

Principais tendências no uso de Geração Distribuída

1. Uso de baterias: fonte de energia particular

O mercado de energia solar está entre os que possuem maior perspectiva de crescimento nos próximos anos. Isso abriu os olhos de muitas empresas privadas, que veem no segmento uma ótima oportunidade para investir em novas tecnologias. Como é o caso da Tesla.

A empresa, conhecida mundialmente por seus inovadores carros elétricos, anunciou em 2015 sua própria bateria de íon de lítio para sistemas de micro ou minigeração distribuída. O preço baixo do produto e a garantia de 10 anos chamaram a atenção dos consumidores e dos concorrentes. Logo, gigantes da tecnologia, como Samsung e LG, também lançaram suas próprias baterias solares. Um grande passo para uma era solar acessível a todos.

A bateria é, basicamente, fonte de energia particular. Fundamental para sistemas off-grid — ou seja, não conectados e totalmente independentes da rede de distribuição elétrica —, ela absorve a energia solar gerada e a libera quando necessário, podendo manter a energia de uma residência por dias mesmo sem incidência de sol. Com isso, garante a estabilidade no fornecimento energético e pode, até mesmo, reduzir o consumo de energia durante o horário de pico.

Atualmente, existem 3 principais tipos de baterias:

  • Bateria Solar de Chumbo-Ácido: é a mais antiga e utilizada do mercado;
  • Bateria Solar de Íon de Lítio: mais barata, com maior vida útil e mais bonita;
  • Bateria Solar de Fluxo: solução que, mesmo não sendo nova, é pouco produzida no mundo.

2. Placas solares fotovoltaicas mais baratas e com maior vida útil

Não foram apenas as baterias que evoluíram. O preço dos painéis diminuiu mais de 70% nos últimos 10 anos, e ainda pode cair pela metade até 2030!

Além disso, as placas solares atuais já possuem 25 anos de vida útil, mas esse pode ser apenas o começo. Diversos países, como França e Espanha, estão investindo consideravelmente no desenvolvimento de placas mais eficientes. Isso engloba soluções ainda mais sustentáveis, acessíveis e com perda da energia gerada muito menor.

3. Net metering: crédito de energia utilizado para abater o consumo

O net metering é uma das principais tendências mundiais do segmento, mas não é novidade para nós, brasileiros. Esse é o nome dado à técnica — válida no país desde 2012, com a criação da Resolução Normativa nº 482 — que consiste em transformar o excesso de geração distribuída em créditos, que são convertidos em desconto no valor pago da fatura, uma espécie de sistema de compensação.

Em 2015, a RN 482 passou por uma revisão e as regras para utilização do net metering foram redefinidas. Desde então, os créditos podem ser utilizados até 60 meses depois de sua geração.

Agora, a regulamentação passa por uma nova e importante reforma: os consumidores, que antes podiam abater o consumo de energia em até 100%, agora devem pagar os custos da rede, encargos e transporte da energia gerada. O net metering ainda existe no Brasil, mas agora limitado a 38% do valor.

Baixe o infográfico: O que mudou na legislação de Energia Solar no Brasil?

4.Geração compartilhada e empreendimentos de múltiplas unidades

A primeira revisão da RN 482 pela ANEEL (Agência Nacional de Energia Elétrica) — publicada em 2015 como Resolução Normativa Nº 687 —, incluiu 3 novas modalidades para a geração distribuída.

É possível notar que o modelo de geração compartilhada é, basicamente, uma união dos outros dois modelos de geração de energia. Essa definição de novas modalidades possibilitou a criação de condomínios e, até mesmo, vilas com total autossuficiência energética, supridos apenas pela energia solar.

Na Alemanha, o país-modelo em relação à microgeração ou minigeração distribuída, as vilas solares já são realidade. Na cidade de Friburgo, o bairro de Schlierberg é 100% abastecido com painéis solares fotovoltaicos, e ainda produz mais energia do que consome. É extremamente econômico, sustentável e possível de realizar. Será que a moda chega logo por aqui?

O crescimento exponencial da geração distribuída na Alemanha acontece, principalmente, devido ao investimento do país na Indústria 4.0, que permite o desenvolvimento constante de novas tecnologias e soluções. Embora a quarta revolução industrial tenha se popularizado por lá há quase uma década, ela está iniciando agora no Brasil. Saiba como o mercado industrial nacional se comporta diante dos novos formatos de produção e entenda a importância de se adaptar a essa nova realidade:

Indústria 4.0 no Brasil: oportunidades e desafios

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